Muito antes de Caçador se tornar município, a região do Alto Vale do Rio do Peixe era uma grande floresta de mata fechada. Os primeiros habitantes, depois dos índios, chegaram no início do século XIX. Eram caboclos oriundos da miscigenação de portugueses e espanhóis com os nativos Kaigang e Xokleng.
Conhecidos como mateiros, esses caboclos viviam da própria subsistência através da extração da erva-mate, pinhão e pequenas criações de animais.
Enquanto isso, regiões vizinhas como Campos Novos e Nossa Senhora dos Prazeres das Lages, ao sul, e São João de Cima, Irani e Palmas ao norte, viviam pleno desenvolvimento devido a sua geografia privilegiada para a criação de gado e cultivo de grandes plantações, principais atividades econômicas da época.
Localizada no meio dessas regiões de campos, Caçador acabou se tornando rota de passagem de tropas que faziam o caminho Rio Grande do Sul – São Paulo.
“Sendo o caminho principal de tropas Lages – Santa Cecília – Mafra, onde atualmente é a BR 116, Campos Novos – Caçador – Palmas tornou-se uma rota secundária. Como mostram antigos documentos, acredita-se que a região de Caçador era um dos poucos lugares em que o Rio do Peixe permitia fácil passagem das tropas. Segundo alguns mapas da época, esses pontos de travessia eram onde hoje se encontra a Ponte de Madeira Antônio Bortolon e na Vila Kurtz”, destaca o historiador Julio Corrente.
1850
Outra parte da população chegou depois de 1850, quando a...
Muito antes de Caçador se tornar município, a região do Alto Vale do Rio do Peixe era uma grande floresta de mata fechada. Os primeiros habitantes, depois dos índios, chegaram no início do século XIX. Eram caboclos oriundos da miscigenação de portugueses e espanhóis com os nativos Kaigang e Xokleng.
Conhecidos como mateiros, esses caboclos viviam da própria subsistência através da extração da erva-mate, pinhão e pequenas criações de animais.
Enquanto isso, regiões vizinhas como Campos Novos e Nossa Senhora dos Prazeres das Lages, ao sul, e São João de Cima, Irani e Palmas ao norte, viviam pleno desenvolvimento devido a sua geografia privilegiada para a criação de gado e cultivo de grandes plantações, principais atividades econômicas da época.
Localizada no meio dessas regiões de campos, Caçador acabou se tornando rota de passagem de tropas que faziam o caminho Rio Grande do Sul – São Paulo.
“Sendo o caminho principal de tropas Lages – Santa Cecília – Mafra, onde atualmente é a BR 116, Campos Novos – Caçador – Palmas tornou-se uma rota secundária. Como mostram antigos documentos, acredita-se que a região de Caçador era um dos poucos lugares em que o Rio do Peixe permitia fácil passagem das tropas. Segundo alguns mapas da época, esses pontos de travessia eram onde hoje se encontra a Ponte de Madeira Antônio Bortolon e na Vila Kurtz”, destaca o historiador Julio Corrente.
1850
Outra parte da população chegou depois de 1850, quando a Lei das Terras viabilizou a instalação de pequenas e médias propriedades. Distante das duas capitais, Florianópolis de um lado, e Curitiba do outro, a região teve lento desenvolvimento. As vilas e fazendas eram ligadas por estradas abertas na mata, pelos tropeiros.
Década de 30 – Emancipação
Para vencer a resistência de Campos Novos pela independência, Caçador em 1932 passa a pertencer ao município de Curitibanos, para dois anos depois, conquistar a emancipação política-administrativa. Em 22 de fevereiro de 1934, foi criado o município de Caçador, através do decreto estadual n° 508, que diz:
Fica criado o município de Caçador e o território constituído dos distritos de: Santelmo, Taquara Verde e parte de São João dos Pobres, desmembrados de Porto União; Rio Caçador, de Curitibanos; Rio das Antas, de Campos Novos e São Bento, de Cruzeiro.
Artigo dois: A sede do novo Município será constituída pelos povoados de Rio Caçador e Santelmo, que se denominará “Caçador”.
Em 25 de março de 1934, o primeiro prefeito, Leônidas Coelho de Souza, é empossado, sendo então, realmente estabelecido o município de Caçador.
Antes disso, em 1933, faleceu Francisco Corrêa de Mello com 110 anos, deixando 12 filhos, 96 netos e mais de 200 bisnetos.
Com a emancipação, Caçador começa a criar condições que implica na chegada de mais colonos e indústrias. Instituições como comarca, cartório, delegacia, prefeitura e bancos dão uma estrutura para o município que começa a crescer com a criação da Escola Estadual Paulo Schieffler em 29 de maio de 1934. Em 5 de novembro do mesmo ano, Caçador passa a ser sede da comarca.
Em 1935, iniciam as instalações da Paróquia São Francisco de Assis e do Instituto do Trigo (Atual EPAGRI). Já em 1939 surge o Jornal A Imprensa.
Na área da Saúde, foram criados os hospitais São Luiz, em 1935, e São Francisco em 1938.
Descoberto petróleo em Caçador, no distrito de Taquara Verde, por Solon Coelho de Souza.
Instalação do Colégio Nossa Senhora Aparecida pela congregação das Irmãs de São Jose;
Polêmica com o nome
Um fato curioso no início da década de 40, narrado por Domingos Paganelli, foi que uma Lei Federal da época, dizia que, não poderia existir dois nomes iguais para municípios brasileiros, sendo que o nome Caçador já existia em um município do estado de São Paulo. Segundo a Lei, o município mais velho ficaria com o nome, sendo então cogitada a mudança do nome de Caçador, em Santa Catarina.
A sugestão para uma nova nomenclatura veio de Manoel Siqueira Bello. Caçanjurê seria o nome do município. Domingos Paganelli sugeriu que fosse consultado o departamento de Geografia e Estatística do Governo Federal, a fim de comprovar que o nome estava vinculado à criação da estação ferroviária Rio Caçador, inaugurada em 1910. Assim feito, foi comprovado que Caçador, em Santa Catarina, tinha o nome há mais tempo, fato que estabeleceu definitivamente o nome.